Família de David Meira pede indenização pela morte do jovem


Família vai à Justiça em busca de indenização pela morte do jovem
As coisas de David Henrique Conrado Meira continuam no lugar onde estavam quando ele deixou sua casa para o treino da equipe sub-22 do UniCeub/BRB no último 12 de julho. No quarto, na aconchegante casa da avó, em Sobradinho, estão a cama de casal em que David dormia e muitas fotografias %u2014 a maioria com ele em quadra.

Aos 70 anos, Silvia Conrado tinha forças %u2014 de sobra %u2014 para cuidar do atleta, assim como fez durante os 19 anos de vida do garoto, que viu os pais se separarem muito cedo. A avó só não aguentou ficar sem o neto, que morreu em 22de julho depois de passar 10 dias internado no Hospital de Base. Ela sofreu um infarto quando a morte do jogador, atingido pela tabela de basquete, no ginásio da Asceb, completou dois meses.

Como era de se imaginar, o resto da família encontra sérias dificuldades em superar a perda. A irmã, Thayná, 15 anos, que divide o sonho de ser médica com a carreira de modelo, ficou de recuperação pela primeira vez no colégio, em física. Os pais, ainda abalados, quase perderam o emprego, de vigilante e auxiliar administrativa, por abdicar de tudo durante o tempo em que David ficou internado. E a namorada, Giselle Mendes, que esteve ao lado dele por quase cinco anos, está fazendo acompanhamento psicológico %u2014 emagreceu visivelmente e chora todos dias.

Nem mesmo o contato com o clube é o mesmo. Mais de dois meses depois da morte do rapaz, a família alega não ter recebido nenhum amparo após o enterro de David. Por isso, acionou a Justiça na última sexta-feira contra o Instituto Viver Basquetebol (IVB), o UniCeub/BRB e a Asceb, em busca de indenização. %u201CA empresa responde pelos atos do funcionário%u201D, afirma o pai de David, Márcio Meira, que diz não se preocupar com o supervisor do UniCeub/BRB, Luiz Henrique da Silva, indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar). %u201CFoi falta de manutenção. Algo que poderia ser evitado. Acidente, para mim, é um raio cair na cabeça de alguém%u201D, insiste, em um misto de tristeza e revolta.

De acordo com a mãe, Valquíria Conrado, o último contato entre Antônio Carvalho, presidente do IVB, e os pais aconteceu na 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul, quando o laudo das investigações foi divulgado. %u201CEle pediu para a gente não entrar na Justiça e disse que conseguiríamos um acordo. Depois, marcamos uma reunião com o advogado dele%u201D, lembra a mãe de David.

O encontro entre os pais e Marco Conforto de Alencar foi em 22 de agosto, exatamente um mês depois da morte do jogador. %u201CFoi uma conversa informal e ele pediu que fizéssemos uma proposta para um acordo entre as partes, sem a necessidade de enfrentarmos os trâmites judiciais%u201D, explica Cristiano Rodrigues da Silva, advogado da família, que, dois dias depois, por e-mail, enviou uma oferta ao clube. Calculada com base na expectativa de aposentadoria do brasileiro, que é de 65 anos, e o salário médio do trabalhador, que em 2011, no DF, girou em torno de R$ 1,6 mil, a indenização seria de R$ 700 mil, além de bolsas de estudo para os dois irmãos, de 15 e 17 anos, na instituição que patrocina o time. %u201CQuero realizar os sonhos dele. Ele queria dar uma casa aos pais e pagar a faculdade de medicina da irmã%u201D, considera Valquíria.

A família até insistiu, mas como a proposta nunca foi respondida, decidiu apelar à última instância pedindo um valor maior. %u201CO advogado sempre alegou que não conseguia contato com o presidente do IBV. Parece que eles acham que lá (no tribunal) vão conseguir pagar um valor menor%u201D, acredita Cristiano. %u201CO laudo diz tudo e é um documento oficial. Não sei o que eles estão esperando.%u201D
O clube, por meio da assessoria de imprensa, informou que não se manifestará sobre o assunto.

Acusado
O ex-supervisor do UniCeub/BRB, afastado durante o inquérito e depois demitido do clube, Luiz Henrique da Silva foi indiciado por homicídio culposo. O laudo pericial da 1ª DP concluiu que houve um “aperto inadequado dos parafusos de fixação do mancal direito do cavalete traseiro” — um dos parafusos, inclusive, não tinha sido encontrado no Ginásio da Asceb no dia da perícia, realizada em 13 de junho — e como o funcionário era o responsável pela manutenção da tabela, seria o culpado pelo acidente. O processo ainda não chegou ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).

Acidente
David Meira foi atingido pela tabela no Ginásio da Asceb em 12 de julho, quando tentou uma enterrada durante treino do time de base do UniCeub/BRB, que se preparava para a Liga de Desenvolvimento do Basquete. A estrutura cedeu e caiu sobre a região entre o pescoço e ombro esquerdo do jogador. David foi atendido ainda no local por um cardiologista que estava dando uma palestra na Asceb. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou dois minutos depois, levando-o ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) em estado gravíssimo.


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