Número de PMs presos em megaoperação aumenta para 63

Rio - Subiu para 63 o número de policiais militares presos nesta terça-feira na Operação Purificação, que cumpre 83 mandados de prisão, sendo 65 de PMs e 18 de traficantes e integrantes da quadrilha, que é acusada de envolvimento com o tráfico. De acordo com a PM, 11 traficantes estão presos.

Um deles estava no pátio do 15º BPM (Duque de Caxias) portando uma pistola com numeração raspada, enquanto outro policial foi preso em casa, onde guardava munição de fuzil. A polícia encontrou o material ao cumprir um mandado de busca e apreensão.

Os policiais – à época lotados no 15º BPM, de acordo com investigações, recebiam propina dos bandidos para não coibir atividades criminosas em 13 favelas de Caxias dominadas por facção criminosa. Os mandados de busca e apreensão são cumpridos na casa dos denunciados e em batalhões da PM.

A ação foi desencadeada após um ano de investigações de uma força-tarefa formada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública (SSINTE), pela Polícia Federal, pela Coordenadoria de Inteligência da Polícia Militar (CI/PMERJ) e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.


Os acusados foram denunciados pelos crimes de formação de quadrilha armada, tráfico de drogas, associação para o tráfico, corrupção ativa, corrupção passiva e extorsão mediante seqüestro.

De acordo com a denúncia, os PMs não se limitavam apenas em receber “arrego” para deixar de reprimir o tráfico, segundo a força-tarefa. As apurações revelaram que os PMs também seqüestravam bandidos e seus familiares, apreendiam veículos do tráfico exigindo dinheiro para devolução, negociavam armas e realizavam operações oficiais quando o pagamento da propina atrasava.

O principal alvo dos policiais era a favela Vai Quem Quer, mas eles agiam também nas comunidades Beira-Mar; Santuário; Santa Clara; Centenário; Parada Angélica; Jardim Gramacho; Jardim Primavera; Corte Oito; Vila Real; Vila Operário; Parque das Missões e Complexo da Mangueirinha. De acordo com investigações da SSINTE, PF e CI/PMERJ, os policiais militares não tinham um comando único e dividiam-se em 11 células autônomas.

"Não aceitamos mais ser humilhados", diz Comandante da PM


O comandante da Polícia Militar, Erir Ribeiro Costa Filho, disse, nesta terça-feira, que os policiais presos durante megaoperação devem ser expulsos da corporação em no máximo 30 dias. De acordo com ele, os militares ficarão presos no presídio de Bangu 8, na Zona Oeste.

"Não aceitamos mais ser humilhados por desvios de conduta. Todos aquele que foram presos serão expulsos. Quero em 15 a 30 dias, no máximo, esse presos deixem de ser policiais", afirmou Costa Filho.

Erir Costa Filho (esq) e Beltrame em coletiva | Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia

Em 2007, mais de 50 PMs do 15º BPM (Caxias) foram presos durante operação e soltos meses depois. Para o comandante, os policiais agora são vigiados e os desvios de conduta serão punidos de forma exemplar. "O policial que não é digno de vestir nossa farda será punido. Naquela época (2007), se não teve punição, agora tem. Os policiais são vigiados e quem ousar vai para a rua!".

José Mariano Beltrame, secretário de Segurança do Estado, reforçou a importância da participação da própria PM na operação. "A questão do desvio de conduta é uma meta que procuramos combater sempre. A PM demonstrou q não compactua com esse tipo de ação e demonstrou buscar parcerias com outros orgãos. A PM fez um marco ao participar dessa operação. Ela quer expulsar esses policiais. A PM começa a se mostrar pró-ativa na questão da corrupção. Não temos condições de resolver problema de segurança pública sozinhos. É uma luta do bem contra o mal", reforçou Beltrame.

Batalhão de Caxias está entre os envolvidos | Foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia

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